13.6.09

Corroída entre as lantejoulas.

Sorria-se docemente nas antiguidades, nos amores mais perdidos e nas gramáticas e filosofias mais absurdas...
Eu costumava escrever muito mais, quando decidi que era hora de silêncio. Perder minhas palavras não foi fácil. Muito menos fechar para balanço a parte que pensa do meu cerébro.
A lavagem foi intensa, voltei limpa, seca, desobstruida de qualquer flagelo mental e filosófico.
Tudo me parece menos poético e muito mais patético seguindo a atual linha de raciocinio.
Por isso vou encurtar as estrofes, os temas, os pensamentos no geral.
E ai de mim que um dia pensei e decidi colocar essa merda pra fora...
Preciso agora desestruturar outras táticas de masoquismo.
Tais beijos continuam suaves como da primeira vez. Tais filosóficos continuam evoluindo como sempre o fizeram, só o português-brasilês resolveu alterar a gramática, só pra me foder!
Enquanto isso eu me deleito em comentários e falta de humanismo no ser humano...
Prefiro me deitar enquanto é frio.
E fodam-se as paredes que precisam de pintura.

[uau!]

1.3.09

Tormenta.

Dia quente. Insuportável calor. Reconheci nas linhas do tirano todas as desavenças e discórdias das perguntas que rondam esse ser. O pobre coitado nem havia saído da prisão direito e já estavam fazendo ele querer voltar pro cubículo tedioso. Não havia nada a fazer.
Todos os sexos de personagens de repente mudaram. Era um desaforo me manter calada. Eu simplesmente não conseguia, eu precisava gritar que estava enlouquecendo. Eu chamaria atenção demais. Talvez eu devesse ficar mesmo calada.
Nos fundilhos a calça rasgava aos poucos, e os porcos imundos se deliciavam com a visão medonha de uma lingerie velha. Os diálogos sumiram, as palavras evaporaram, tudo era intenso, eu via cenas grotescas passando pelos meus olhos. E me perguntava onde estava, o que fazia ou se pensava em algo.
Velhas promessas que fiz e guardei, tentei executá-las, sem sucesso, não da minha parte, era impedida de realizar fatos pelo fato de fatiar tudo a minha volta... AAAHHH como eu queria ter a certeza de que algo aconteceria daqui dois segundos...
Um...
Dois...
.
.
.
Não. Nada. Merda. Tudo do avesso, tudo contrário. Eu queria algo e nem sabia o que era.
Já reparou como está pacata essa vida?
Contei à velha que eu queria aventuras e ela me respondeu com lágrimas.
Na verdade minha aventura maior seria a conquista de um coração livre.
Como prender uma águia numa caixinha, quando é você mesmo que quer voar, mas não sabe?
Gritei em silencio: "ACONTEÇA ALGO!" Mas nada aconteceu.
Me desculpe por tentar querer tanto. Ainda me sinto no direito de velho beberrão de exigir tanto das garotinhas que eu lia nos livros de Buk e outros.
Será que eu consigo uma carona até o inferno, dessa vez?
Vou esticar o dedo.
- Hey rapaz!
- Rapaz o caralho! Eu sou um velho beberrão!
- Com esse dedo desaforado levantado você não conseguirá muita coisa.
- Consegui seu assunto chato!
- Você é bem mal humorado, hãn!
- Você é bem intrometido!
- Entre no carro!
- Ok.
- Pra onde vai?
- Pro inferno!
- Bom lugar! Passarei por lá.
- Não vai ficar?
- Não. Estou voltando para minha esposa.
- Sinto muito.
- Não sinta. Eu a amo.
- Agora é que eu sinto mais!
...
Bebi. Sangue azul para os pervetidos nas ruas de um harém promissor.
Prostíbulos, strippers, vagabundos... O submundo me era atraente demais. Por isso o abandonei.
Nas normalidades de um dia quente e apático, eu me perguntei onde diabos eu queria ir amanhã pela manhã. Se acordasse vivo.

18.2.09

Do que está por vir.

Pelejas da noite.
Me perguntei onde diabos coloquei as trancinhas da menina da rua de baixo.
Claro, que seria embaixo, abaixo e de uma "baixeza" sem tamanho.
Resolvi vomitar palavras a mais pra ver se saía algum álcool dali. Mas não saiu. Paciência.
Eu a via passeando com sua cadelinha, ambas rebolando o rabo docemente. Eu poderia ser até um velho beberrão, mas certeza eu tinha de que aqueles movimentos eram pra mim.
E tantas outras desejando ser alguma barriga de aluguel no meio do covil mais sedento.
Por horas eu praguejei e blasfemei... Mas quando via aquele olhar eu me despia de pudores e caía direto naquela vontade louca de querer exclusividade. O mundo podia morrer todo, a cadelinha, a menina rebolando, todas as outras com suas malditas trancinhas.
Todos os movimentos levemente sincronizados, querendo criar danças ao vento... O suburbio, o caos de pensamentos subliminares, sensuais... Me deixo levar pelas suas mãos, pelo seu beijo, me deixo contaminar pela sua pele suada de paixão louca... Eu preciso que o mundo morra só pra eu ter só você a minha volta... Não preciso de mais nada, só da sua essência.
A menina das trancinhas, da cadela, os padres metamórficos casamenteiros de homossexuais tarados que se amam, se enganam, se satisfazem. Eu continuava um velho beberrão, sarcástico, podre, dentro de um corpo juvenil de mulher safada envolta nas pernas de uma amada.
Tal amada era novidade. Não havia muito tempo, ela chegou dizendo que tinha algo que me pertencia. Havia encontrado algumas partes do meu coração dentro de um puteiro barato, e as outras partes nos fundos de um buteco de quinta. Saímos dali já de mãos dadas. Foi bonito até. Não posso dizer que deixei de ser romantica.
Eu queria cada vez mais me envolver naquelas pernas. Aquele olhar me colocou feitiços que não vou esquecer. Mas eu estava era viciada no suco que seu corpo me trazia, todos os dias eu a queria mais.
Joguei o casaco sobre a mesa e servi uma dose. O apartamento estava sujo mas acho que ela não se importou muito. Seu olhar estava distante todo o tempo. Eu ficava me perguntando o que se passava em sua mente. Ela nunca me responderia.
Mas não me importava muito. Eu a queria ali.
Ela, as pernas, o suco e mais nada e nem ninguém.
Me deitei, entrelacei e morri com ela em meus braços.